Crise na FIFA: Gianni Infantino Pode Sofrer Destituição?
Por F14 Sports | Atualizado em 3 de agosto de 2026
A permanência de Gianni Infantino no comando da FIFA entrou em seu momento mais crítico. Dirigentes ligados ao Conselho da entidade articulam nos bastidores a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para avaliar formalmente a permanência do dirigente na presidência.
A movimentação, impulsionada por polêmicas arbitrais na Copa do Mundo de 2026 e por propostas controversas de reestruturação financeira, já é considerada a maior crise política da entidade desde a queda de Sepp Blatter.

Por que Gianni Infantino está sendo pressionado?
A insatisfação com a gestão de Infantino vinha se acumulando nos bastidores, mas atingiu o ponto de ruptura durante a realização do Mundial de 2026. Entre os principais fatores que alimentam a oposição estão:
- Suspeitas de interferência direta: Relatos de bastidores apontam para uma ingerência atípica do presidente da FIFA em decisões operacionais e disciplinares do torneio.
- O caso Balogun: A anulação e revogação do cartão vermelho do atacante norte-americano Folarin Balogun geraram revolta entre federações europeias e sul-americanas, levantando dúvidas sobre a isonomia da competição.
- Desgaste político acumulado: O descontentamento de ligas e federações com a sobrecarga do calendário internacional e a centralização das decisões na figura do presidente.
O episódio de Balogun virou o estopim da crise
O incidente envolvendo Folarin Balogun ultrapassou as quatro linhas e ganhou contornos diplomáticos e institucionais. A decisão de anular a punição do atleta após manifestações públicas e contatos de bastidores — incluindo declarações polêmicas envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — gerou forte repercussão na imprensa internacional.

Para dirigentes da UEFA e de federações independentes, o episódio comprometeu a imagem de neutralidade e independência da FIFA, levantando questionamentos sobre a influência de pressões políticas externas nas decisões da comissão de arbitragem e disciplina.
O projeto Fifa Forward Enterprise ampliou a oposição
Além das polêmicas de campo, a dimensão econômica da crise ganhou força com o avanço do projeto Fifa Forward Enterprise. A proposta prevê a entrada de fundos de investimentos privados em ativos e direitos comerciais da entidade.
A iniciativa encontrou forte resistência de blocos centrais do futebol mundial:
- UEFA e Concacaf: Dirigentes expressaram preocupação com a perda de soberania das federações e a mercantilização excessiva das competições regionais.
- AFC (Ásia): Embora contasse com apoio inicial de alas do Oriente Médio, divisões internas surgiram quanto aos impactos no futebol de base.
- Clubes e Ligas Europeias: Entidades representativas acusam a FIFA de tentar monopolizar receitas sem o devido repasse aos atores que de fato movimentam o espetáculo.
Como funciona uma Assembleia Extraordinária da FIFA?
O Estatuto da FIFA prevê mecanismos institucionais para a apreciação da conduta de seus dirigentes. Para que a crise resulte em uma votação sobre a permanência de Infantino, o processo deve seguir etapas rigorosas:
- Composição do Conselho: O órgão executivo é formado por 37 membros, representando as seis confederações continentais.
- Requerimento de Convocação: Para convocar a Assembleia Extraordinária destinada a este fim, é necessário o apoio formal de pelo menos 19 membros do Conselho da FIFA (ou o requerimento de um quinto das associações-membro).
- Tramitação e Votação: Uma vez formalizada a convocação, é estabelecido um prazo para a realização da sessão, onde a destituição exige maioria qualificada das federações votantes.
Quem apoia e quem pode decidir o futuro de Infantino?
O xadrez político na FIFA depende da composição de forças entre os continentes:
- UEFA (Europa): Lidera a ala crítica a Infantino e concentra forte poder de articulação junto ao Conselho.
- Concacaf (América do Norte, Central e Caribe): Encontra-se dividida entre a aliança política com a sede da Copa e as críticas à gestão do torneio.
- AFC (Ásia): Mantém postura cautelosa, funcionando como potencial fiel da balança dependendo do avanço das negociações financeiras.
- Conmebol (América do Sul): A expectativa gira em torno da posição oficial da confederação sul-americana, cujos votos costumam atuar em bloco e podem definir o rumo da votação.
O que pode acontecer agora?
Diante do agravamento das articulações, os próximos dias serão decisivos para o futuro do comando do futebol mundial. Os cenários prováveis incluem:
- Abertura de investigação independente: A Comissão de Ética da FIFA pode ser acionada para averiguar as denúncias de interferência.
- Pressão por renúncia: Caso a oposição consolide os 19 votos necessários no Conselho, a pressão política pode levar a uma saída negociada antes da Assembleia.
- Manutenção no cargo com concessões: Infantino pode recuar em projetos controversos (como a reforma financeira) para recompor sua base de apoio.
- Votação de destituição: A efetiva realização da Assembleia Geral Extraordinária para votar a perda do mandato.
- Articulação em andamento: Lideranças do Conselho da FIFA trabalham nos bastidores para convocar uma Assembleia Extraordinária.
- Sem data definida: Ainda não existe uma votação agendada formalmente.
- Critério estatutário: A convocação depende do cumprimento do apoio mínimo previsto no estatuto da entidade (19 votos do Conselho).
- Conmebol indefinida: A confederação sul-americana ainda não anunciou uma posição oficial definitiva sobre o pleito
